quinta-feira, 8 de março de 2018

I Ching - O Livro das Mutações



O I Ching, ou Livro das Mutações teve sua origem em formas oraculares ainda mais antigas, de uma época conhecida como “era mítica do Imperador Fu Hsi” (aproximadamente 3.000 anos a.C.), herói lendário considerado o fundador da civilização chinesa. 

Fu Hsi, pintura de Ma Lin,
como visto durante a Dinastia Song


Reza a lenda que Fu Hsi inventou os oito trigramas básicos do I Ching e suas combinações em 64 hexagramas, que servem de base ao método de adivinhação por meio de varetas de caule de milefólio, a forma tradicional de consulta do oráculo durante milênios. 









Historicamente o que hoje conhecemos com o nome de I Ching, o Livro das Mutações, surgiu no período anterior à dinastia Chou (1150-249 a.C), com figuras lineares, compostas de linhas inteiras e linhas interrompidas, superpostas em conjuntos de três e seis linhas, chamados "Kua" (signo).
James Legge, em sua tradução do I Ching (The Sacred Books of lhe East, XVI: The Yi King, Oxford, 1882), cunhou os termos "trigrama" e "hexagrama" para designar os Kua compostos por, respectivamente, três e seis linhas. Esses termos têm sido adotados por vários estudiosos do I Ching.

Segundo a literatura chinesa, após Fu Hsi, o Livro das Mutações teve outros três compiladores que enriqueceram seu conteúdo: 
O Rei Wen, que acrescentou um julgamento para cada um dos 64 hexagramas.
O conde Wen, também conhecido como rei Wen (em chinês 周文王 ou Zhōu Wén Wáng, embora jamais tenha reinado), 1099–1050 a.C., foi o fundador da Dinastia Chou.


O Duque de Chou, que incorporou os comentários referentes às linhas mutáveis dos hexagramas.
Dan, Duque Wen de Zhou (século 11 a.C.), comumente conhecido como o Duque de Chou (chinês: 周公; pinyin: Zhōu Gōng) foi o quarto filho do rei Wen de Zhou e da rainha Tai Si.


Confúcio, o famoso sábio, autor dos textos relacionados à imagem e ao comentário de cada hexagrama.
Confúcio (chinês: 孔夫子, pinyin: Kǒng Fūzǐ) tradicionalmente 27 de agosto de 551 a.C. – 479 a.C.), foi um pensador e filósofo chinês do Período das Primaveras e Outonos.

No ano de 213 a.C., Ch’in Shih Huang Ti, um tirano conhecido como O Grande Unificador (foi o construtor da Grande Muralha e o unificador das províncias chinesas), ordenou a queima de todos os livros existentes, exceto os dos arquivos imperiais, as obras de medicina e agricultura e os livros de adivinhação. Devido a essa seleção, o I Ching, que já era considerado um livro sagrado, sobreviveu ao expurgo das bibliotecas e chegou até nós.

A grande maioria dos estudiosos concorda em considerar o Livro das Mutações como uma importante fonte das duas grandes correntes do pensamento chinês: o taoísmo e o confucionismo. Prova disso é o I Ching fazer parte dos Seis Livros Canônicos de Confúcio.

Confúcio, que comentou longamente o I Ching, considerava que a idéia central do livro era o conceito de mutação, exemplificado por uma frase que o sábio teria dito ao observar a correnteza de um rio: “Tudo segue, fluindo, como esse rio, sem cessar, dia e noite”. Dessa maneira, a observação constante e profunda da natureza sugere a idéia da mutação contínua: depois da escuridão vem a luz; o inverno é seguido pela primavera; após a tempestade vem a calmaria; o dia renasce depois da noite; a lua cresce e decresce ciclicamente; as marés alternam-se no mar. A lei universal que tudo rege é o constante mudar. A realidade se transforma permanentemente, e o I Ching, ao contrário de muitos outros métodos de adivinhação, ensina a guardar essa verdade profunda sem condicionar o nosso comportamento.

O I Ching não prevê os acontecimentos futuros, mas indica a situação presente e seus possíveis desdobramentos

Como se penetrasse no inconsciente, os ensinamentos do livro sugerem como enfrentar a realidade que se apresenta, explicam as fases de desenvolvimento da ação que deve ser empreendida e indicam o resultado dessa ação sempre que se tenha agido de acordo com as sugestões recebidas. Pois, na verdade, cabe à nossa sensibilidade e inteligência perceber a mensagem quer o I Ching transmite.

Para a sabedoria chinesa, conhecer as forças que agem num determinado momento de nossa vida pode ser muito importante, porque, conhecendo-as, poderemos, em vez de nos opormos a elas, avançar junto com elas, colaborando assim com o movimento natural da vida. Mas para que o I Ching dê uma resposta adequada, a formulação da pergunta é muito importante, pois apenas sabendo muito bem o que procuramos saber teremos condição de interpretar a resposta obtida. Em outras palavras, só se conhecermos bem os motivos e circunstâncias que envolvem a nossa pergunta poderemos decodificar a linguagem simbólica do oráculo. Sempre devemos lembrar que o I Ching não fala a nossa habitual linguagem racional, mas se exprime através das imagens simbólicas do inconsciente.

Fonte: I Ching: O Livro das Mutações. Editora Nova Cultural, adaptado.

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Com a Arithmologia venho me aprofundando em técnicas de respiração, meditação, cromoterapia, cinesiologia, e tecnologia espiritual. Desenvolvi a Arithmognose Terapêutica: o cuidado consigo e com os outros, através do conhecimento e essência dos Arithmos (números) pessoais.
Graduada em Direito, mas trabalhando com Consultoria, Coaching e Aconselhamento Metafísico a distância, tenho como objetivo esclarecer e motivar o cliente/coachee para que este possa perceber e/ou experimentar uma conscientização das potencialidades inerentes em si que repercutem diretamente em suas ações.

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