quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

I Ching – Hexagrama 30: LI / Aderir (Fogo)


Arte de Adele Aldridge

Quando existe a ameaça da dúvida, devemos aderir ao que já aprendemos e confiar no Poder da Verdade. Nos momentos de hesitação, chegamos a duvidar de nós mesmos, da nossa capacidade, de tudo o que aprendemos e da ajuda do Sábio. Mas justamente nesses momentos precisamos perseverar.
O Sol difunde sua luz e ilumina todo o mundo natural. A Luz prende-se aos objetos e torna-os brilhantes. Da mesma forma, as pessoas grandes iluminam todos os que estão em volta delas, penetrando na verdadeira natureza do homem.
Tente ver além das chamas & da fumaça.
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O Aderir
Este é mais um dos hexagramas formados pela repetição de um mesmo trigrama. O trigrama Lá significa “aderir a algo”, “ser condicionado”, “depender de algo” e “claridade”. Uma linha obscura liga-se a uma linha luminosa acima e a outra abaixo. Assim surge a imagem de um espaço vazio entre duas linhas fortes, o que as torna luminosas. Li é a filha do meio. O Criativo incorporou a linha central do Receptivo e desse modo se forma Li. Como imagem é o fogo. O fogo não tem uma forma definida, porém liga-se aos corpos que queimam, tornando-se luminoso. Assim como a água desce do céu, o fogo arde elevando-se da terra. Enquanto K’an significa a alma aprisionada no corpo, Li significa a natureza em seu esplendor.

JULGAMENTO

ADERIR. A perseverança é favorável.
Ela traz o sucesso.
Cuidar da vaca traz boa fortuna.

O obscuro liga-se ao que é luminoso, promovendo assim a claridade deste último. Um corpo luminoso, ao irradiar luz, deve ter em seu interior algo que Persevere pois, de outro modo, com o tempo se extinguiria. Tudo o que é luminoso no mundo depende de um elemento ao qual se liga, a fim de poder continuar a brilhar.
Assim, o sol e a lua ligam-se ao céu, enquanto os grãos, a grama e as árvores ligam-se à terra. Do mesmo modo a redobrada clareza do homem fiel a seu destino adere ao bem, e pode assim dar forma ao mundo. A vida humana no mundo é condicionada e dependente. Quando o homem reconhece essa limitação e se submete às forças harmoniosas e benéficas do cosmos, ele alcança o sucesso. A vaca é o símbolo da extrema docilidade. Cultivando em si essa docilidade e voluntária dependência, o homem conquista uma clareza suave e encontra seu lugar no mundo.

IMAGEM

A clareza eleva-se duas vezes: a imagem do FOGO.
Assim, o homem superior, perpetuando essa clareza,
ilumina as quatro regiões do mundo.

Cada um dos dois trigramas representa o sol no ciclo de um dia. Os dois juntos representam a repetição do movimento do sol, a função da luz gerando o tempo. O homem superior dá continuidade à obra da natureza no mundo dos homens. Graças à clareza de seu ser, ele faz com que a luz se espraie, penetrando cada vez mais na natureza do homem.

LINHAS

Nove na primeira posição significa:
As pegadas se entrecruzam.
Se o homem se mantém sério, nenhuma culpa.

Amanhece, e o trabalho se inicia. Após ter estado isolado do mundo exterior no sono, a alma começa a restabelecer suas relações com o mundo. As marcas das impressões se entrecruzam. Atividade e pressa imperam. Nesse momento, o importante é preservar o recolhimento interior e não se deixar levar pela agitação da vida. Se permanecer sério e concentrado, o homem alcançará a clareza necessária para a análise das numerosas impressões que lhe chegam. E precisamente no começo que esta séria concentração é importante, pois no início está a semente de tudo que se seguirá.

Seis na segunda posição significa:
Luz amarela. Suprema boa fortuna.

É meio dia. O sol brilha com luz amarela. O amarelo é a cor do meio e da medida. A luz amarela é, portanto, o símbolo da civilização e da arte em seu apogeu, cuja harmonia está no perfeito equilíbrio.

Nove na terceira posição significa:
Sob a luz do sol poente
os homens ou batem no caldeirão e cantam,
ou suspiram em voz alta à aproximação da velhice.
Infortúnio.

Finda o dia. A luz do sol poente lembra o aspecto condicionado e transitório da vida. Nesta falta de liberdade exterior os homens com freqüência perdem também sua liberdade interior. A transitoriedade da existência ou os impele a uma euforia desenfreada, a fim de gozar a vida enquanto ela dura, ou se deixam levar pela tristeza e desperdiçam um tempo precioso lamentando a aproximação da velhice. Ambas as atitudes são erradas. Para o homem superior é indiferente que a morte esteja próxima ou distante. Ele aprimora-se, aguarda sua sorte e assim consolida seu destino.

Nove na quarta posição significa:
Sua chegada é repentina;
inflama-se, extingue-se, é jogado fora.

A clareza do intelecto tem para com a vida uma relação semelhante à que o fogo tem com a madeira. O fogo adere à madeira, mas ao mesmo tempo a consome. A clareza do intelecto tem suas raízes na vida, mas também pode consumi-la. Tudo depende de como essa clareza funciona. É usada aqui a imagem de um meteoro ou de um fogo de palha. Um homem de caráter excitável e inquieto tem uma rápida ascensão, porém sem deixar efeitos duradouros. É um erro desgastar-se demasiado rápido e se consumir como um meteoro.

Seis na quinta posição significa:
Em prantos, suspirando e lamentando.
Boa fortuna!

A vida aqui atinge um apogeu. Nesta posição, se não houvesse uma advertência, o homem se consumiria como uma chama. Mas se chora e suspira, preocupado em conservar sua clareza, renunciando a toda esperança e temor por reconhecer a vacuidade de todas as coisas, essa sua tristeza trará boa fortuna. Aqui ocorre uma verdadeira e definitiva mudança de atitude, e não apenas uma mudança temporária, como no caso do nove na terceira posição.

Nove na sexta posição significa:
O rei o utiliza para marchar adiante e castigar.
O melhor será então matar os líderes
e aprisionar seus seguidores.
Nenhuma culpa.

O propósito da punição é impor disciplina, e não castigar cegamente. O mal deve ser cortado pela raiz. Na vida política, para fazê-lo, devem-se eliminar os líderes, porém poupar seus seguidores. No auto-aperfeiçoamento devem-se extirpar os maus hábitos e tolerar aqueles que são inofensivos. Pois o ascetismo muito rigoroso, assim como as punições excessivamente severas, não conduzem a bons resultados.

 Fonte: I Ching, o Livro das Mutações – Richard Wilhelm

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Descobri cedo o caminho do autoconhecimento e a partir da adolescência direcionei o foco dos meus estudos para essa autodescoberta. Dissequei a mim mesma em busca de respostas estudando diversas matérias, que entendi serem totalmente interligadas.
Com a Arithmologia venho me aprofundando em técnicas de respiração, meditação, cromoterapia, cinesiologia, e tecnologia espiritual. Desenvolvi a Arithmognose Terapêutica: o cuidado consigo e com os outros, através do conhecimento e essência dos Arithmos (números) pessoais.
Graduada em Direito, mas trabalhando com Consultoria, Coaching e Aconselhamento Metafísico a distância, tenho como objetivo esclarecer e motivar o cliente/coachee para que este possa perceber e/ou experimentar uma conscientização das potencialidades inerentes em si que repercutem diretamente em suas ações.

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